Famílias e Relacionamentos

domingo, 11 de novembro de 2018


A Ponte, o Barco e o Rio...
Conclusão Part. 2-2 - O Paraíso de Lucas 16.19-31

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Ainda, falando a respeito do comentário de Russell Norman Champlin, em seu comentário sobre Lucas, temos...

Comentário Bíblico Antigo Testamento e Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo de Russell Norman Champlin, Lucas 16:19-31...


16:20: Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; «...certo mendigo chamado Lázaro...». Esta é a única parábola que supre um nome próprio, pelo que também alguns estudiosos têm negado que esta história seja uma mera parábola. Os intérpretes têm procurado significações especiais para esse apelativo, conforme se descreve abaixo:
1. Um esmoler especial, conhecido por Jesus e pelos fariseus, quando ele falou, o que faria dessa história uma questão muito pessoal. Mas Alford, observando que o nome significa Deus é ajudador, ou tradução similar, acredita que o próprio sentido desse nome labora contra o ponto de vista de que se trata de uma história literal.
2. Alguns têm imaginado que o apelativo foi dado a fim de indicar que tal homem tinha um socorro, esperando ajuda exclusivamente da parte de Deus, porquanto Deus era para ele um verdadeiro ajudador.
3. Outros pensam que a parábola tinha por finalidade ser uma advertência a Lázaro de Betânia, que era homem rico.
4. Outros têm pensado que o homem Lázaro foi aplicado para lembrar a todos que um certo Lázaro retornara dos mortos (ver o décimo primeiro capítulo do evangelho de João); no entanto, o seu testemunho foi rejeitado, segundo o vs. 30 indica que assim aconteceria. Entretanto, parece melhor dizer que o nome foi suprido meramente para ajudar no diálogo com Abraão, nos vss. 24-31. O nome era bastante comum, sendo a forma grega de Eleazar, «aquele que Deus tem ajudado»; e o seu emprego, nesta parábola, não parece ter qualquer significação especial ou misteriosa. É com base nessa parábola que se tem criado o termo moderno «lázaro», que tem passado para diversos idiomas modernos, e que indica uma pessoa afligida por certa pestilência que a força a perder todo o contacto com os seus semelhantes. Lázaro, personagem desta parábola, vivia coberto de úlceras e tinha de ser carregado até ao grande portão que havia na frente da casa do rico. Vivia totalmente dependente de qualquer ato caridoso que o rico quisesse demonstrar. Lázaro aparece como símbolo da mais total e completa miséria.

16:21: o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caiam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. «...desejava alimentar-se das migalhas...». As migalhas que caíam da mesa do rico era o refugo que era jogado fora do portão, incluindo os pedaços de pão que o rico usava como guardanapos, segundo era o costume da época. Era uma comida própria para os cães que percorriam as ruas, mas era ansiosamente rebuscada por esse homem que vivia na mais abjeta pobreza que se possa imaginar. A linguagem faz-nos lembrar das condições do filho pródigo (ver Luc. 15:16). ou das condições da mulher siro-fenícia (ver Marc. 7:28). O quadro aqui exposto retrata a mais absoluta dependência, mas também um quadro de urgente necessidade, porquanto Lázaro tinha de competir com os cães vadios das ruas. Não há certeza se o fato dos cães virem-lhe lamber as feridas tem o intuito de mostrar que nisso ele encontrava algum alívio para os seus sofrimentos, ou se serve para aumentar a descrição de suas misérias. Os cães eram reputados animais imundos, de acordo com as leis cerimoniais dos judeus, e por isso mesmo é bem provável que essa atenção dos cães foi mencionada a fim de mostrar que tal tratamento não era bem acolhido por Lázaro, sendo uma espécie de clímax das misérias daquele pobre homem. Também devemos notar que a palavra aqui usada para «cães» não está no diminutivo, conforme se lê em Mat. 15:27 e Marc. 7:28, que se aplicava a animais domésticos ou animais mansos; pelo contrário, encontramos aqui o termo associado à idéia de coisa abominável (ver Mat. 7:6; Fil. 3:2; II Ped. 2:22 e Apo. 22:15). «Naturalmente que as migalhas não eram os pequenos fragmentos que caem de nossas mesas, mas as partes moles dos pães finos que eram usados no oriente, com as quais, segundo todas as aparências indicam, o ricos costumavam limpar os dedos, lançando tais migalhas debaixo da mesa, ao mesmo tempo que eles comiam as partes mais duras...Descrever os seus sofrimentos, que eram mitigados pela compaixão dos animais irracionais, outrossim, seria diretamente oposto à intenção de nosso Senhor». (Lange, in loc.).

16:22: Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. «...morrer o mendigo...». Esses são os anjos de serviço, que cuidam dos justos, contrariamente aos «anjos de destruição», que apanham as almas dos ímpios, conforme comumente aparece a idéia, na literatura judaica. Segundo é—distintamente—declarado, o rico foi sepultado ao morrer, porquanto, nos tempos antigos, era uma desgraça deixar um cadáver sem sepultamento, e, segundo a mitologia grega, tal ato impedia que a alma entrasse em seu lugar apropriado no mundo dos espíritos. Todavia, Lázaro não foi sepultado, posto que não se faz qualquer menção de seu sepultamento. Alguns antigos pensavam que não ser sepultado era sinal de desprazer divino, e alguns se recusavam a sepultar os seus inimigos (apesar de poderem fazê-lo), como expressão de ódio e zombaria. Mas também é possível que essas palavras signifiquem que o sepultamento do rico foi notável, com grande acompanhamento e muitas carpideiras, ao passo que o sepultamento de Lázaro foi insignificante, a ponto de não merecer a atenção de quem quer que seja. (Quanto a notas sobre os «anjos», ver Luc. 4:10). «...seio de Abraão...» Três expressões eram comumente usadas, entre os judeus, para expressar o futuro estado de bem-aventurança: 1 . o jardim do Éden, ou paraíso; 2. o trono da glória; e 3. o seio de Abraão. É justamente esta (que figura nesta parábola), que aparecia com mais freqüência. De conformidade com a teologia judaica, esse paraíso ou seio de Abraão fazia parte do hades, que abrigava os bem-aventurados ou justos. A idéia de seio de Abraão tem por detrás o pensamento de comunhão e de filiação. O homem justo, com toda a razão, era considerado filho de Abraão. Na passagem de João 18:23 vemos que jazer no seio era o lugar dos convivas mais favorecidos. Na qualidade de hóspede favorecido no céu, Lázaro descansava no seio de Abraão. Sua alma sobrevivia à morte do corpo, e isso sem interrupção alguma da própria consciência.

16:23: No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. «...no inferno, estando em tormentos...». O vocábulo grego aqui traduzido por «inferno» não é a geena (a prisão dos perdidos), e, sim, o hades, isto é, o mundo invisível dos mortos. Que as duas divisões estavam tão próximas que os que estavam em uma delas podiam ver e conversar com os que se encontravam na outra divisão, é prova do caráter alegórico da história, e a apresentação de Lázaro, aqui, como quem estivesse literalmente deitado lado a lado com Abraão, é especialmente indicativo de uma alegoria. Por conseguinte, aceitamos esses termos como simbólicos, embora não se tratem de descrições irreais das condições na outra existência. «Transparece quase na superfície da parábola que ela descreve um estágio anterior da vida após-túmulo do que a descrição que figura no trecho de Mat. 25:31-46. Não há aqui qualquer menção do advento do Juiz. Até onde vai a parábola, nada há para excluir a idéia de que os tormentos poderiam ter, ao menos parcialmente, o caráter tanto de disciplina como de retribuição» (Ellicott, in loc.). Isso também devemos acrescentar que o estado dos espíritos dos mortos, segundo é descrito aqui, é anterior ao estado que é antecipado nas modificações em seu estado, conforme é ensinado em I Ped. 3:18 e 4:6, passagens essas que descrevem a expiação efetuada por Cristo, e os efeitos dessa expiação no mundo dos espíritos. Ver o ministério de Cristo em Hades naquelas referências. «Hades» é transliteração do vocábulo grego «hades» (ver nota em Mat. 18:18 acerca de «hades»), palavra essa usada para indicar o lugar dos espíritos que se foram daqui, isto é, o submundo. Equivale ao termo hebraico sheol. Na tradução Septuaginta ou LXX (do V.T. para o grego), «hades» é a tradução constante do termo hebraico «sheol». Essa dimensão é pintada como lugar que consiste de duas divisões, uma para os ímpios e outra para os justos. A divisão para os justos também é denominada, nos escritos judaicos, de seio de Abraão, e o Senhor Jesus empregou os termos hebraicos nesta passagem. No V.T., a palavra parece que algumas vezes é utilizada para indicar a morte física; porém, também se pode demonstrar que o lugar dos espíritos partidos deste mundo está em foco nessas passagens. O conceito da existência de divisões no «sheol» parece ter surgido mais tarde no pensamento judaico. (Quanto a uma discussão sobre o «inferno» e o «julgamento» futuro, ver a nota existente em Apo. 14:11). Essa narrativa demonstra as seguintes verdades: 1. A alma sobrevive à morte física. (Ver a nota sobre a «imortalidade», em II Cor. 5:8). 2. A alma, mesmo depois da morte, continua dotada de consciência, memória e razão. 3. Os justos entrarão em um estado infinitamente melhor do que aqui. (Ver a nota sobre o «céu e o estado eterno», em Apo. 21:3). 4. O castigo é o destino que aguarda os ímpios.

16:24: E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. «...manda a Lázaro que molhe...». Essas descrições têm por intuito intensificar a idéia do sofrimento que era experimentado no «hades» pelo rico. O homem que antes vivia diariamente em prazeres suntuosos, agora implorava uma minúscula gota de água para refrescar-lhe a língua. Antes possuía riquezas difíceis de serem calculadas, auxiliares e servos, pompa e luxo; mas agora se revolvia em tormentos, rogando que lhe fosse feito um ínfimo favor, mas que, a despeito disso, lhe foi negado, por causa do grande abismo posto entre uma divisão e outra do mundo dos espíritos, e que ninguém poderia transpor, ainda que se quisesse usar de misericórdia. Agora o rico anelava por uma gota de água, tal como Lázaro anelara antes pelas migalhas. As descrições da literatura judaica mencionam as chamas como uma das características do hades, a habitação dos ímpios, em contraste com & fonte das águas (símbolo da vida) existente no paraíso ou seio de Abraão. Assim sendo, estamos tratando de símbolos do estado posterior dos mortos, embora esses julgamentos ali não sejam menos reais por causa disso.

Os deuses são justos, e de nossos vícios prazenteiros Fazem instrumentos que nos vergastam.
(Shakespeare, Rei Lear, v.3)

  Enquanto vivia, eu tinha muito do que queria;
E agora, ai! anseio por uma gota de água.
Os riachos que das colinas verdejantes
De Cassentim descem para o Amo,
Fazendo seus canais serem macios e frios,
Jamais me saem da memória, e não em vão:
Pois muito mais sua imagem me resseca
Do que a doença que desnuda meu rosto de carne.
(Inferno, X X X .65, Dante).

16:25: Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. «...recebeste os teus bens...» Aqui encontramos um tema comum no evangelho de Lucas, o qual pode ser visto em Luc. 6:20,24, que é paralelo a declarações similares de Jesus, encontradas no Sermão da Montanha, segundo o evangelho de Mateus. (Quanto à mensagem tencionada, bem como à atitude de Jesus para com os ricos e os pobres, ver Mat. 5:3; 6:19-21 e 25:34, onde Jesus apresenta o seu manifesto contra o materialismo). Este versículo não entra em questões teológicas quanto aos motivos por que os dois indivíduos foram para estados finais tão diversos entre si; mas tão-somente, em termos gerais, as suas respectivas existências. Não precisamos supor que o rico era homem particularmente iníquo; mas devemos compreender que ele vivia na terra afastado de Deus, sem demonstrar respeito ou cuidado para com os seus semelhantes, características essas que os evangelhos atribuem estar sempre vinculadas aos ricos. «A reversão da sorte, no estado após a morte, é um fato inflexível, mas é equivalente. A base final dessa reversão -o caráter- não é aqui referida; é mera questão de equivalência ou justiça poética». (Bruce, in loc. ).

16:26: E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. «...está posto um grande abismo...» O patético pedido do rico lhe foi negado, primeiramente por motivos de justiça, e em seguida, já neste versículo, à base de sua impossibilidade de atendimento. O grande abismo não permitiria qualquer comunicação ou contacto real entre os ocupantes dos dois lados do «hades». Tudo isso antecede as condições descritas nos trechos de I Ped. 3:18 a 4:6, onde o leitor pode consultar as notas expositivas. O abismo é uma gigantesca fenda, no simbolismo apresentado aqui, e isso nos faz lembrar da Grande Comédia, de Dante, onde é descrita uma inclinadíssima penha e um profundo abismo, onde, de um lado, aparecem chamas que queimam mas não consomem, enquanto que, do outro lado, espraia-se o belíssimo jardim do Éden ou paraíso, onde se verifica o banquete presidido por Abraão, ao mesmo tempo que todos aqueles que se encontram encerrados do lado mau do hades podem contemplar tudo com olhos tristonhos, a felicidade que reina no lugar dos bem-aventurados. Os mitos gregos sobre o tártaro (outra designação para o inferno, utilizada com exclusividade no trecho de II Ped. 2:4, em forma verbal) também pintam tal abismo; mas, nesse caso, o abismo não é apresentado como um elemento de separação entre as duas divisões do hades. Alguns rabinos escreveram a respeito de uma forma de muralha de separação, ao invés de um abismo, que dividia as duas porções do hades.

As glórias de nosso sangue e posição
São sombras, e não coisas substanciais:
Não há armadura contra a Sorte;
A morte põe as mãos geladas em reis:
Cetro e coroa
Têm de cair,
E no pó se tornam iguais
Com o pobre enterrado a pá.
Alguns com espadas colhem os campos,
E plantam novos lauréis onde matam;
Mas seus fortes nervos por fim devem ceder;
Só conseguem dominar quando jazem enfim:
Cedo ou tarde,
Descem ante a sorte,
E devem desistir de seu hálito e murmúrio
E então, pálidos cativos, se arrastam para a morte.
Suas grinaldas secam em vossa fronte;
E não mais se ufanam de seus grandes feitos!
Sobre o purpurino altar da Morte, vede agora,
Onde a vitima vitoriosa ainda sangra.
Vossas cabeças terão de chegar
Ao túmulo frio.
Somente as ações dos justos.
Perfuram e florescem no seu pó.
(James Shirley)

16:27: Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,

16:28: porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. «...o mandes à minha casa paterna...». O rico assumiu uma atitude evangelizadora. Esse simbolismo provavelmente foi provocado pela observação da igreja primitiva sobre a obstinação da comunidade judaica, em sua recusa de aceitar a missão messiânica de Jesus, tão abundantemente confirmada, pelo tempo em que este evangelho de Lucas foi escrito, incluindo a narrativa da ressurreição de Cristo. Não podemos concordar com os comentários feitos por alguns intérpretes, aqui, que acreditam que não temos nestas palavras um pedido genuíno de ajuda a seus irmãos, mas apenas «uma amarga reprimenda contra Deus e a antiga economia, por não lhe terem advertido de maneira suficiente». (Broun. in loc.). E mais acertado dizermos juntamente com Ellicott (in loc.): Não há nenhum desafio rebelde, nenhuma execração blasfema, tal como a que os homens têm pintado para si mesmos, a reverberar para sempre nos reinos das trevas. Abraão continua sendo pai dos sofredores, e o rico continuava contando com a simpatia dele». Parece perfeitamente claro, entretanto, que o autor tencionava demonstrar que a antiga dependência dos judeus ao fato de descenderem de Abraão, como mérito suficiente para garantir o paraíso ao indivíduo, é negada especificamente nesta passagem. «Aqui temos o crer e o tremer de Tiago 2:19. Agora os seus olhos se tinham aberto para a verdade; e não admira que as suas simpatias naturais tivessem sido despertadas em prol de seus irmãos». (Alford, in loc.). Não existe qualquer significação especial que se deva vincular ao número cinco, como, por exemplo «cinco vezes dois é igual a dez»—ou seja, as dez tribos de Israel. O número cinco foi escolhido por acaso, como bom número representativo do número de filhos que se esperaria que houvesse em uma família, além de ser um número suficiente para merecer a misericórdia de Abraão, porquanto o destino de cinco almas não é questão sem importância. Os irmãos do rico tinham tido ocasião de ver o esmoler caído à porta da mansão do rico. Se pudessem contemplá-lo transformado e ainda existente, talvez viessem a arrepender-se e a crer, e assim seriam salvos.

16:29: Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. «...eles têm Moisés e os profetas...». Aqui temos uma das declarações do N.T. que procura claramente indicar que não existe qualquer contradição básica entre o judaísmo puro—a mensagem corretamente interpretada de Moisés e dos profetas—e o cristianismo bíblico. Lucas tentou, por conseguinte, demonstrar a universalidade do cristianismo, sendo esse um dos temas centrais de seu evangelho. Ele anelava que os seus leitores cressem que o cristianismo não é meramente uma seita cismática do judaísmo, mas antes, que o judaismo de seus dias, na realidade, era uma facção apóstata. A mensagem cristã do arrependimento e da vida eterna, por conseguinte, era a mesma mensagem que foi pregada por Moisés e pelos profetas. Moisés e os profetas já tinham ensinado que na vida vindoura haverá recompensas ou punições. Aqueles que não quisessem atender às tradições das Escrituras não poderiam, certamente, dar ouvidos à história de qualquer ressurreição, porquanto sem dúvida haveriam de descobrir alguma explicação racional e «natural» para esse fenômeno. Este versículo, portanto, ensina que rejeitar a Cristo é, ipso facto, rejeitar a Moisés e aos profetas.

16:30: Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.

16:31: Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão , ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. • ...se alguém dentre os mortos for...» . O rico antevia a sensação provocada pela volta de Lázaro ao mundo dos vivos, o que lhe parecia suficiente para causar o arrependimento, ao passo que Abraão encarava tal possibilidade como motivo que nem ao menos conseguiria persuadir os irmãos do rico. -Quase não podemos deixar de vincular a identidade do nome Lázaro com aquele qae realmente foi chamado de volta de entre os mortos; mas cujo retomo, longe de persuadir aos fariseus, foi a causa imediata que os excitou a praticarem seu ato mais definitivo de incredulidade». (Alford, in loc.). Saul também não se arrependeu, quando viu Samuel em Endor. O mundo tem permanecido quase que inteiramente indiferente, embora Jesus tivesse ressuscitado, no que foi testemunhado por muitas pessoas, além dos milagres subsequentes que comprovam a sua ressurreição. A alusão que há nestes versículos, como é natural, é à ressurreição de Jesus Cristo, e o fato subsequentemente de que essa realidade tão bem comprovada não conseguiu persuadir e comover aos judeus, é causa de consternação e de condenação para tais incrédulos. Lucas salienta aqui, uma vez mais, que rejeitar a Cristo equivale, ipso facto , a rejeitar aos escritos de Moisés e dos profetas, quando corretamente compreendidos. A razão-disso é que a mensagem, central de Moisés e dos profetas é Cristo. Por conseguinte, se aquela gente houvesse acolhido os escritos de Moisés e dos profetas, também teria reconhecido a Cristo, recebendo tanto a ele como ao seu reino. Lucas acrescentou o terceiro ato para explicar o lamentável fato que a grande maioria dos judeus, como no caso dos saduceus ou dos que se agarravam ao antigo pacto, não se deixou abalar pela fulgurante realidade da ressurreição de Jesus- Aprendemos, de tudo isso, que os sinais, até mesmo aqueles que são espantosos, a despeito de poderem aterrorizar e temporariamente poderem comover os homens, levando-os a agir de um modo um tanto diferente, contudo, não redimem. Isso porque a conversão deve proceder de algo mais constante, continuamente presente. Essa mesma verdade é ilustrada na obra de George Bernard Shaw, «Saint Joan». Nessa história, quando ela retornou do mundo dos mortos, todas as suas antigas conhecidas a louvaram; porém, quando ela anunciou a sua intenção de viver novamente entre elas, ficaram todas quase horrorizadas, e prontamente a abandonaram como um só bloco. Os sinais podem ser facilmente esquecidos, perdendo o seu impacto, e os céticos, ainda que não possam provar ter havido fraude nesses sinais, são capazes de descobrir, para sua própria satisfação, explicações puramente «lógicas» ou «naturais», confiando nessas explicações forçadas, embora elas tenham muitíssimo menor probabilidade de esclarecerem a realidade do que os próprios acontecimentos sobrenaturais. «A compaixão de Jesus permanece para sempre, e acreditamos que isso não se verifica em vão; mas a vontade humana só tem constância para tornar-se cristalizada e teimosa. Sabemos que agora e aqui os 'Dives' não precisam continuar como tais. Jesus contou essa história a fim de livrar-nos dos tormentos». (Buttrick, in loc.). «Vemos aqui um princípio que se reveste de tremenda magnitude e importância. O maior de todos os milagres não surtirá efeito sobre aqueles que estão resolvidos a não crer». (Brown, in loc.). Isso nos faz lembrar do caso de Herodes, o tetrarca. Ele ouvira dizer que Jesus realizava muitos milagres e desejou ver algum milagre. Imaginou que João Batista havia ressuscitado dentre os mortos, e isso o deixou assustado (ver Mat. 14:2); não obstante, jamais se arrependeu, e nem foi conduzido para mais perto de Deus por causa dessas coisas.”.


Perceberam amados! Que ao distorcermos o teor das “Escrituras Sagradas” é assinar a carta de condenação eterna! Portanto, cuidado com aquilo que os amados defendem e creem, pois até os demônios creem de acordo com Tiago 2:19 - “Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem.” e sobre isto, ainda postarei um estudo lhes explicando o que realmente este verso quer dizer...

Amados! O que tenho visto no meio Evangélico é que, muitos que se dizem “Cristãos”, mas que, na hora de dar a César o que é de César, fogem dos preceitos Cristãos, conf. Mat. 22:21; Mc. 12:17; Luc. 20:25; Mat. 5:37 e 1 Cor. 1:17, demonstrando verdadeiramente a quem servem. Amados! Não podemos deixar de defender uma verdade apenas pelo fato de que uma seita defende, que bom, se este for mesmo o caso, que ao menos defende uma verdade em meio a tantas mentiras...!

Outra coisa amados! Temos que tomar o devido cuidado, como já mencionei, o Apóstolo Paulo, quando ainda Saulo, suas falsas convicções, mataram Cristãos por todo o mundo de sua época!

Amados! Imaginem o seguinte, digamos que você coma ou beba, um determinado alimento e que este te ofenda, dai, você vai ao médico e conta o seu problema e diz ao mesmo que acha que é àquele alimento específico, que esta lhe ofendendo, pois sempre que se alimenta dele o problema aparece, mas ai, este médico, te diz, que isto não tem nada a ver com o alimento que você mencionou, então, ele da outro diagnóstico e assim vai, até que você desiste, pois o alimento continua te ofendendo!

Agora imaginem amados! Quantas vezes isto não deva ter ocorrido em se tratando do leite, hoje em dia sabe-se que tem gente que tem intolerância a ele, agora, pergunta! Os médicos tinham razão ao dizer que ele não ofendia? É obvio que não! E, apesar de ser útil e nutritivo para alguns, mas que para outros, o leite e seus derivados é puro veneno!



Vejam! Um Pedacinho do paraíso! As belezas naturais de meu estado o Rio Grande do Norte!


A Praia da Pipa











Um abraço e até o próximo estudo amados!

Rogério Silva
IEADERN: 042574, 26.07.2005
(84) 99120-9471 / 996228473

domingo, 4 de novembro de 2018


A Ponte, o Barco e o Rio...
Conclusão Part. 1-2 - O Paraíso de Lucas 16.19-31


Amados! De acordo com o entendimento das “Escrituras Sagradas, ”(Seio, quer dizer: Posição junto ao, ou, junto a...). Quando “Cristo”, ilustrando em sua história, sendo ela uma Parábola ou não; na verdade, isto é o que menos importa, mas sim seu teor teológico, uma realidade da qual todos, precisavam saber, ele, “Cristo”, falou-nos de um mendigo chamado Lázaro, que, ao morrer, foi levado “para junto ao seio de Abraão”, e João menciona Jesus estando “junto ao seio do Pai”, conf. Jo 1:18 e Luc. 16:22, 23;. A expressão “junto ao seio”, fazendo alusão a alguém se recostar no peito de outro, no mesmo leito, em uma refeição, como era costume Judaico, de certa forma implica em intimidade, da qual só existe entre no mínimo, amigos, também denota o elo que existe entre as pessoas deste leito, portanto, era de costume Judaico este proceder e foi justamente usando deste argumento, que “Cristo”, tentou; isto mesmo, “tentou”; no sentido de que, ou seja, tendo em vista, que muitos ainda não entenderam, a nos ensinar sobre a vida após a morte!

Os convidados recostavam-se sobre o lado esquerdo, com um travesseiro para apoiar o cotovelo esquerdo, ficando a mão direita livre. Era de costume, que três pessoas ocupassem o mesmo leito, mas podia haver até cinco pessoas. A cabeça de cada uma ficava perto ou encostada como que no peito, ou seio, da pessoa atrás dela. Quem não tinha ninguém atrás de si era considerado como ocupando a posição mais elevada, e quem estava na frente dele, a segunda posição de honra. Visto que os convidados estavam assim perto uns dos outros, era costume que amigos fossem colocados junto de amigos, o que tornava bastante fácil manter uma conversa confidencial, particular, quando desejado. Ocupar tal posição junto ao seio de outro num banquete significava ocupar um lugar de favor especial perto daquele em que se encontrava, vemos isto retratado muito bem em alguns filmes romanos!

Amados! É justamente este o entendimento que devemos ter desta passagem, independente de ela ser uma parábola ou não! Aquele que estava no seio de Abraão, estava justamente em favor concedido por “DEUS” àqueles que por seguir os preceitos Divinos, estavam aguardando a justiça Divina, logo após a restauração de todas as coisas, conf. Apoc. 6:9-11, logo depois que, tanto a morte, quando ao impio e ao inferno, serão jogados no lago de fogo e enxofre, conf. Apoc. 20:11-15.

Amados! Temos que entender, que a “Maravilhosa Palavra de DEUS”, não irá mudar nem por mim e nem por ninguém, ela é imutável, inviolável é a “Palavra da Verdade”, nos dada para nossa Salvação, justamente pro isto é melhor irmos em favor dela, que contra ela!


O juízo final

Apocalipse 20:11-15 - “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. - 12 E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. - 13 O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. - 14 E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. - 15 E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.”

Desta forma, amados, buscar justificativas, para defender alguns interesses obscuros, é “Insanidade Espiritual” e resignificar de forma errônea o verdadeiro sentido da “Maravilhosa Palavra de DEUS” é condenação de inferno, tendo em vista que, distorcer as verdades de “DEUS” e implica em um mal do qual, não nos trás a Salvação! O entendimento que se deve ter é justamente este, de um favor “Especial” que todos àqueles que verdadeiramente são servos de “DEUS” tem, junto ao pai, em seu seio, ou seja, no seio de Abraão!

Assim, o Apóstolo João, a quem Jesus amava muito, “recostava-se no seio de Jesus”, e nesta posição “se encostou junto ao peito, ao seio de Jesus” e fez-lhe em particular uma pergunta, na celebração da última Páscoa, conf. Jo 13:23, 25; 21:20. Por estes motivos, João, ao descrever “a posição especial de favor” usufruída por ele junto a “Cristo” e este, sendo a própria Imagem e Semelhança do pai, enquanto homem; junto ao pai, ele estava “na posição junto ao seio” do “Pai”, recebendo, portanto, os favores que esta posição lhe concedia por direito. Do mesmo modo, na ilustração que “Cristo” fez sobre Lázaro, foi levado para “a posição junto ao seio” de Abraão, indicando que este mendigo, por fim, passou a ocupar uma posição de favor especial junto a alguém que lhe era superior, neste caso, Abraão, que representa o paraíso que “DEUS” tem preparado para o homem, como no princípio, no Édem, assim como será no futuro, no novo Édem!


Agora vejam só amados!

João 1:18 - “Ninguém jamais viu a Deus. ‘O Deus unigênito’, que está ‘no seio do Pai’, esse o deu a conhecer.”

Percebam amados! Que uma das desculpas que se usa para descaracterizar o verdadeiro sentido desta passagem de Lucas 16:19-31, é que, como pode Abraão estar junto de seu próprio seio! Pois é, amados, portanto, como pode em, João 1:18, o próprio “DEUS” estar em seu seio! Vejam, não pode! Não faz muito sentido, por isto que esta passagem estar falando-nos de “Cristo”, no seio de “DEUS”!

Amados! Mas se considerarmos, que esta passagem estar nos falando dos favores obtidos por àqueles que, verdadeiramente são servos de “DEUS”, junto a ele, “DEUS”, passamos a entender que o fato de ela nos dizer que Abraão estando ali em seu seio, significa que ele estava em lugar do qual ele conquistou junto ao pai e que o privilegiava, tanto a ele, quanto àqueles que por ser servo, também mereciam estar ali, recebendo os favores Divinos e como Abraão, ou seja, em Abraão, “DEUS” lhe tinha prometido uma grande nação como uma benção, conf. Gên. 12:2, ele, não só por este motivo, mas também por muitos outros, passou a representar muita coisa do aspecto Divino e, portanto Espiritual!


Gênesis 12:2 - “Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção.”

Amados! A Parábola é uma história que Jesus contava para ilustrar um assunto especial e sempre verdadeiro, como por exemplo, “o grande dragão, a antiga serpente”, referindo-se a satanás, conf. Apoc. 12:9. Por isto, era sempre usado em forma de alegorias, uma representação, para que pudéssemos refletir em analogia, sobre determinado assunto. Sendo assim, cada elemento da Parábola, representa algo especial, colocado em determinadas situações e perspectivas, em que, quando Jesus queria falar, abordar algum assunto importante, ele usava deste artifício, assim como usamos em nossa língua portuguesa e ele, “Cristo” o fez se referindo ao céu, ao paraíso, conf. Mat. 13:10-11, desta forma, nos fazendo aprender sobre suas verdades!

Mateus 13:10-11 - “E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? - 11 Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;”


A própria “Palavra de DEUS”, amados, nos diz que algumas coisas, são figuras de outras! É bom lembrarmos ainda, que existem tipologias nas “Escrituras Sagradas” e que, mesmo assim, devemos tomar cuidado, pois a própria “Escrituras Sagradas” nos revela, por exemplo, que satanás nos ronda, em nosso derredor, rugindo como um leão, conf. 1 Ped. 5:8, mas também nos diz que Cristo é o Leão da tribo de Judá, conf. Apoc. 5:5, portanto, afirma categoricamente, que Cristo “é o Leão da tribo de Judá”, mas sabemos que isto é pura figura de linguagem, portanto, ambas as comparações, não estão erradas, mas foram usadas para que entendêssemos a posição de cada um e o Leão neste caso, denota algo feroz, poderoso e por ser considerado o rei da selva, foi usado, para representar a importância na passagem Bíblica, dando a esta um sentido de forma que todos pudessem entender mais facilmente. Mas tem gente que infelizmente, quer verdadeiramente, acreditar, naquilo que lhe é mais conveniente!

Mas lembrem-se! Após estarmos “no seio de Abraão” ou no inferno, não há mais volta, dai, uns serão ressuscitados para a vida eterna, quem estar “no seio de Abraão” e outros para a perdição eterna, quem estar na condição do rico da passagem de Lucas 16:19-31, no inferno, conf. He. 9:23; Jo. 16:25; Mat. 24, 25 e 2 Tes. 1:9...


Mini Aurélio Dicionário Eletrônico V5.12.83

Pa.rá.bo.la2
Subst. fem.
Narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca outra realidade de ordem superior.
História curta com analogias para contar verdades espirituais. 3. Uma narrativa em que as pessoas e fatos correspondem às verdades morais e espirituais


Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa v3.0 de Jun/2009

Parábola
Acepções
substantivo feminino
1    narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia
1.1  narrativa alegórica que encerra um preceito religioso ou moral, esp. as encontradas nos Evangelhos
Ex.: a p. do filho pródigo
2      Rubrica: geometria.
lugar geométrico dos pontos em um plano cujas distâncias a um ponto fixo e a uma reta fixa são iguais

Etimologia: gr. parabolê,ês 'comparação, aproximação'



Amados! “Cristo” usou de alguns costumes e muito da cultura Judaica, até mesmo da grega, pois sendo algo comum entre eles e que já estava impregnado em aquela cultura, para que eles pudessem entender facilmente, como é o caso do Lava-Pés, por exemplo! Amados, não que ele apoiasse de um todo preceitos gregos ou troianos, mas utilizou-se destes costumes e cultura, para poder tornar mais acessível, principalmente àqueles que tinham o interesse em aprender sobre as verdades que provinha de “DEUS”, o que significa dizer, que ele, “Cristo”, sabia da importância daquela cultura e aproveitou do que elas tinham de verdades e as moldou, para que aquele povo aprendesse de “DEUS”!

Amados! É sabido a respeito da cultura Judaica, que os viajantes ao chegar à casa de alguém, eram recebidos pelo chefe do clã ou dono da casa e o mesmo providenciava que os pés daquele viajante, fosse lavado devido à poeira do deserto que era desgastante e contribuía para que o esgotamento físico aumentasse, assim como, o se lavar após um dia inteiro de caminhada, inclusive, quando algum deles ia ao mercado comprar algo e se retornasse na hora de suas refeições eles não faziam, ou seja, não participavam da mesma sem antes, se lavar!

Amados! Lembrem-se, “Cristo” condenou algumas tradições, não por elas mesmas em si, só pelo fato de elas existirem, na verdade era bom que algumas, não todas, existissem, isto no caso de algumas, mas sim, por fazerem delas um meio para se obter a salvação, pois isto é insano!


Amados! De acordo com o Comentário Bíblico Ed. Atos - Novo Testamento - Craig S. Keener, esta tradição era de entendimento comum entre os Judeus. Vejamos o que ele nos diz, a este respeito!

Comentário Bíblico Ed. Atos - Novo Testamento - Craig S. Keener.


16.19-31
O Rico e o Pobre
“Esta história assemelha-se a uma historia rabínica de data desconhecida, exceto que nela o rico praticou uma boa ação e a fez no mundo vindouro; aqui, ele permite a fome enquanto vive no luxo e, assim, herda o Inferno. Alguns detalhes sobre a vida apos a morte aqui são padrões da tradição judaica; outros são simplesmente necessários por causa da linha narrativa (pratica aceitável ao contar Parábolas).
16.19. Purpura era uma forma especialmente cara de vestuário (cf. comentário em At 16.14); o modo de vida que Jesus descreve aqui e de ostentação e luxo. Embora este homem possa ter ficado rico por uma questão imoral (como as pessoas normalmente ficam), o único crime que Jesus atribui a ele e que deixou Lázaro passar fome ate morrer quando podia ter feito alguma coisa.
16.20. Algumas Parábolas judaicas (incluindo uma rabínica mencionada no começo dessa seção) nomeavam um personagem ou dois.
16.21. Migalha aqui pode ser migalhas comuns ou pedaços de pão usados para comer
junto com sopa. Se Lázaro tivesse comido as sobras, ainda seriam insuficientes para
sustentá-lo. Os cachorros aqui parecem ser o tipo comum que os judeus palestinos conheciam: vira-latas, vistos como se eles fossem ratos ou outras criaturas doentes (também no * Antigo Testamento, p. ex., 1 Rs. 14.11; 16.4; 21.24; 22.38). Eles eram sujos, e suas línguas lambiam suas feridas.
16.22. 23. O costume judeu normalmente fala dos justos sendo carregados pelos anjos; Jesus mostra a tradicional imagem correspondente do mau sendo carregado por demônios. Cada pessoa, não importa quanto pobre seja, merecia um funeral, e não ser enterrada parece terrível (p. ex., 1 Rs. 14.13). Mas Lázaro, não tendo nem parentes nem um patrono caridoso, não teve direito a um, ao passo que o rico recebia grandes elogios. Os verdadeiros israelitas e especialmente os mártires esperavam compartilhar com Abraão no mundo que vira. O lugar de maior honra em um banquete e o mais perto do anfitrião, reclinando-se de tal modo que a cabeça esteja perto do peito.
16.24-26. A literatura judaica normalmente retrata o Inferno como envolvido em chamas. O rico esperava por piedade porque é um descendente de Abraão (ver comentário em 3.8), mas o julgamento aqui e baseado em uma futura inversão de status. Os judeus esperavam uma inversão de status, onde o oprimido justo (especialmente Israel) fosse exaltado acima do oprimido mau (especialmente os gentios). Também acreditavam que as pessoas caridosas seriam largamente recompensadas no mundo que vira. Mas esta *Parábola especifica somente a inversão econômica, e sua realização seria ofensiva para muitos ouvintes do século I, assim como para muitos cristãos ocidentais da classe media hoje, se eles a conhecessem em sua forca original.
16.27-31. Se aqueles que reivindicavam acreditar na Bíblia falhassem em viver adequadamente, ate a ressurreição (que Jesus aponta a frente sozinho) não os persuadiria. A literatura também enfatizava a responsabilidade moral de todos para obedecer qualquer medida de luz que já tivessem.”.



Amados! Vejamos agora o comentarista Russell Norman Champlin, em seu comentário sobre Lucas, o que ele nos diz a respeito!

Comentário Bíblico Antigo Testamento e Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo de Russell Norman Champlin, Lucas 16:19-31...

16:19 - PARÁBOLA DO RICO E LÁZARO:
“Alguns fazem objeção ao vocábulo «parábola», quando aplicado a esta narrativa; porém, posto que as parábolas são usadas como símbolos de realidades espirituais, na realidade pouca diferença faz se usarmos ou não este termo no caso em foco. Não haveríamos de dizer que as palavras de Jesus, revestidas na forma de parábolas, são reflexos menos reais das realidades espirituais do que aquelas suas afirmações feitas sem tal simbolismo.
O MATERIAL aqui exposto se encontra somente no evangelho de Lucas, e provavelmente se alicerça na fonte informativa «L». (Ver notas sobre as fontes informativas dos evangelhos, conforme referência em Luc. 6:14). Esta parábola também não tem igual nos evangelhos, por causa de sua colorida descrição sobre o estado dos homens após a morte física, descrição essa que só pode ser equiparada com as descrições dos evangelhos apócrifos, segundo se vê, por exemplo, no evangelho apócrifo de Nicodemos, nos capítulos décimo quinto a décimo nono. A narrativa encerra dois temas distintos, ainda que relacionados entre si: Os vss. 19-26 declaram que haverá uma reversão de valores na vida vindoura, quando os pobres encontrarão recompensa e consolo, ao passo que os ricos serão castigados. Encontramos aqui um tema similar ao da passagem de Luc. 6:20,24, que diz: «Bem-aventurados vós os pobres, porque vosso é o reino de Deus... Mas ai de vós, os ricos! porque tendes a vossa consolação». A secção final, que consiste dos vss. 27-31, assevera que o rico impenitente teve ampla oportunidade de arrepender-se, que não se toma mister qualquer milagre de aparecimento de algum morto para que haja arrependimento, visto que Moisés e os profetas são as colunas da verdade, avisando a todos do julgamento ou da bem-aventurança da outra vida, além do fato que sua mensagem tem sido universalmente propagada.

Provavelmente foi o horror vacui que impeliu mais de um copista a prover um nome para o anônimo rico. No Egito, a tradição de que seu nome era Nínive, foi incorporada na versão saídica, o que também parece refletir-se no manuscrito p75, — que diz πλούσιος όνόματι Κενής (provavelmente um erro escribal para Niveu-qs). Nos séculos III e IV -----— era corrente uma tradição no ocidente de que o nome do rico era Finéias. O tratado pseudo-cipriânico, De pascha computus, que foi escrito em 242/3, na África ou em Roma, declara (cap. 17): Omnibus peccatoribus a deo ignis estpraeparatus, in cuius flamma uri ille Finaeus dives at ipso dei filio est demonstratus («Fogo tem sido preparado por Deus para todos os pecadores, na chama do qual, conforme foi indicado pelo próprio Filho de Deus, foi queimado o rico Finéias»), A mesma tradição se repete já no fim do século IV D .C ., no último dentre onze tratados anônimos que são costumeiramente atribuídos a Priscilo, um rico e bem-educado leigo, que se tornou fundador de uma seita gnóstica no sul da Espanha. Aqui o nome é grafado Finees (no único manuscrito restante do Tract ix o nome é soletrado Fmeet, com o «t» cortado e recoberto por um «s»). A razão pela qual o nome Finéias foi dado ao rico talvez se deva ao fato que, no A.T. (Núm. 25:7,11), Eleazar (cf. Lázaro) e Finéias aparecem associados. Uma nota marginal, em um manuscrito do século X III D .C ., que traz o poema «Aurora», uma Bíblia versificada escrita no século X II D .C . por Pedro de Riga, afirma Amonofis dicitur esse nomén divitis («O nome do rico se diz ser Amonofis (i.e., Amenófls»).-

16:19: Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. E possível que esta última secção pressuponha o conflito do cristianismo primitivo com o judaísmo ortodoxo, em que o rico e seus irmãos incrédulos representariam os judeus, ao passo que Lázaro, o pobre, representaria a comunidade cristã perseguida e desprezada. O vs. 30 parece mesmo indicar tal coisa, pois a questão da ressurreição é frisada com a asseveração de que nem mesmo um acontecimento tão convincente como a volta de um morto ao mundo dos vivos poderia convencer uma comunidade religiosa empedernida, sobre as realidades espirituais, como a comunidade dos judeus. Também é possível que tenhamos aqui uma reprimenda especial contra os saduceus, que representavam a aristocracia judaica, e que negavam abertamente a existência do mundo dos espíritos e da ressurreição, baseando seus argumentos no fato de que tais doutrinas não são declaradamente ensinadas no Pentateuco, livros esses (Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio) que eram os únicos que eles aceitavam como canônicos. E as declarações existentes nos salmos e nos profetas, sobre a ressurreição e a existência após-túmulo, era ignoradas por não se encontrarem em material canônico, conforme eles supunham. Por conseguinte, parece-nos que a segunda parte desta parábola -vss. 27-31- representa uma repreensão contra o materialismo dos saduceus. Porém, além disso, precisamos ver que a mensagem se destina a indivíduos isolados, e não é meramente uma repreensão contra uma classe. EXISTEM outras narrativas semelhantes sobre o mundo do além, e há uma antiga versão judaica, de um conto egípcio, registrado em papiro, pertencente ao século I D .C., que é extremamente parecido. Essa história pinta o elaborado e riquíssimo sepultamento de um rico, quando muitos se fizeram presentes e lhe teceram louvores. Ao mesmo tempo narra o sepultamento de um homem pobre, cujo corpo seguia para o sepulcro coberto apenas por um colchão, sem nenhum acompanhamento. Um observador da cena comentou sobre a grande vantagem de alguém ser rico, mas subseqüentemente teve ocasião de contemplar cenas da vida além-túmulo, e ali viu o pobre vestido em trajes de linho do rico, postado em um lugar de honra, ao mesmo tempo que o ex-rico sofria tormentos por causa de suas más ações. Essa narrativa chega à sua conclusão com a seguinte aplicação moral: «Aquele que é bom na terra, passa bem no mundo dos mortos; e aquele que é mau na terra, passa mal». (Um elaborado monógrafo sobre esta parábola, publicado em 1918 por Hugo Gresman, da Universidade de Berlim, contém essa narrativa; e a opinião desse autor é que esta narrativa do evangelho de Lucas teve sua origem nessa história egípcia). Parece haver nesta narrativa uma tentativa de refutar a crença de alguns de que precisamos de visões especiais ou de mensageiros vindos do mundo dos espíritos a fim de informar-nos sobre as condições ali existentes, porquanto os escritos de Moisés e dos profetas nos fornecem informações suficientes sobre esse assunto. Pelo menos poderíamos observar que as doutrinas concernentes à existência vindoura não precisam depender dessas ou de quaisquer outras revelações extras. Esta parábola, em face de ter sido registrada em íntima proximidade com o ensino referente ao correto uso das riquezas, nos versículos imediatamente anteriores, também serve para elaborar um pouco mais esse ensino. Um homem bom e sábio será recebido nas «habitações eternas», onde reina a alegria. Mas o rico tolo foi tragado pelo «hades», onde entrou em um estado de sofrimentos. Ela também mostra de quão pouco valor são os atos de ostentação diante dos homens, sob pretensão de piedade, ao mesmo tempo que se é desaprovado diante de Deus.
Alguns intérpretes têm abusado da mensagem aqui tencionada, afirmando que as riquezas, por si mesmas, automaticamente condenam a um homem, e quê a probreza; ipso facto, é algo desejável e promove a piedade; e nisso justificam os seus votos de pobreza, que algumas ordens religiosas incluem; «O intuito da parábola, portanto, não é fornecer alguma instrução especial acerca da retribuição futura, embora aceitemos agradecidos os raios de luz que incidem sobre isso também; todavia, torna-se imediatamente óbvio que a parábola inteira está velada nas vestes da escatologia judaica—mas é proclamar a grande verdade que se alguém negligenciar na aplicação das riquezas para propósitos beneficentes, essa falha haverá de tornar-se em motivo de calamidade eterna. Até este ponto, esta parábola é o oposto da anterior, e figura em conexão natural com ela». (Lange, in loc.). «... certo homem rico, que se vestia de p ú r p u r a ... ». O rico tem sido chamado de Dives, que se deriva da tradução da LXX para o termo grego «rico». A versão saídica chama-o de Nínive. Também tem sido chamado de «Fines», na literatura que circulou pelo século III D .C. «...púrpura ...» Originalmente é um ser marinho do qual se extrai essa cor, e depois passou a designar a própria cor. Na literatura antiga, esse nome era aplicado a três cores distintas: 1 . violeta profundo, com uma coloração negra ou fuliginosa, usada por Homero para indicar o mar; 2. escarlate ou carmesim profundo, que era a púrpura de Tiro; 3. Azul profundo, do mar Mediterrâneo. A tinta era permanente. Aqui a palavra se refere à cor da veste mais externa do rico. Plutarco declarou que Alexandre encontrou no palácio real de Susã vestes que preservaram seu estado de novo e sua cor através de um período de quase duzentos anos. (A declaração que há em Is. 1:18: «...ainda que os vossos pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve...», contém o vocábulo encontrado neste texto).
O «linho finíssimo» éo byssus, um linho egípcio que era vendido por duas vezes o seu peso em ouro, e era usado como veste mais interna. «Certos linhos egípcios eram tão finos que eram chamados de ‘ar tecido’» (Vincent, in loc.).
Ao tato, comparava-se com a seda, e autores gregos posteriores passaram a usar essa palavra para indicar tanto tecidos de algodão como de seda. O material era tremendamente caro, conforme é indicado acima, e era símbolo do estado de abastança do rico nesta parábola. «...todos os dias se regalava esplendidamente...». Literalmente, seria: «...alegrava-se suntuosamente...» Ele empregava as suas riquezas para prover para si mesmo o mais excelente entretenimento, e todos os dias havia alguma diversão suntuosa, em meio aos prazeres e ao luxo. «Não lhe faltava coisa alguma que seus apetites anelassem, que seus gostos fantasiassem e que o dinheiro pudesse adquirir» (Brown, in loc.).


Continua...


Rogério Silva
IEADERN: 042574, 26.07.2005
(84) 99120-9471 / 996228473